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É com grande felicidade que fazemos disponível o portal Holokinesis, uma iniciativa pioneira no país!
Pretendemos que o novo site seja um ponto de convergência de criadores brasileiros que estejam interessados em trabalhar e pensar a integração das artes. Em nosso portal, você não só encontrará informações sobre as nossas atividades e os nossos artistas, como também informações sobre novas visões e tecnologias desenvolvidas mundo afora.
Não deixe de visitar nossa seção Laboratório, onde publicamos histórias e artigos sobre as novas possibilidades artísticas. Procuramos balancear as informações de acordo com as duas etapas da criação artística: de um lado, o planejamento, a ideia, o objetivo estético; do outro, as tecnologias e materiais disponíveis para torná-los reais.
Que se faça aqui um ponto de encontro entre os criadores!
A excelente exposição coletiva presente na Caixa Cultural do Rio de Janeiro e seus arredores toca em assuntos muito próximos do que escrevi nesta seção anteriormente: a atenção.
Assinada por doze artistas, Projetos (in)Provados é uma coleção de pequenas e grandes obras a respeito do diálogo entre o homem - cada um e não todos - com a cidade. É interessante perceber, em algumas folhas, as anotações sobre o quanto de nosso cotidiano é tratado inconscientemente. "As repetições só são notadas nas interrupções", diz uma das frases. Trata-se justamente a atitude de ignorar - no sentido de 'não reconhecer ativamente' - algum evento ou, ainda mais facilmente, algum recorte do cenário físico ou comportamental em que alguém se encontra.
Tomar como certo que algo (não) aconteça faz parte da vida de todos e, em diversos aspectos, é uma atitude necessária para o cotidiano: se podemos andar de manhã, nos sentimos tranqüilos ao pensarmos que, para fazer algo à noite, poderemos contar com a capacidade de andar. E, assim, se aplica para todos os outros aspectos: compromissos, leituras, relações, arte, pensamentos...
O que a consciência (atenção) nos traz é a capacidade de notar quando esse algo muda. Quando, em uma das intervenções da exposição, é demonstrado até onde o mar chegava, na cidade do Rio de Janeiro, nos é lembrado que nossa realidade, nossa terra e suas conseqüências (como o transporte) foram modificados. Como conseguimos viver com uma alteração dessa magnitude sem nos espantarmos todo dia? Me parece que é pela inevitável crença que as coisas não mudam, que elas são como sempre foram. Então, alguém nos bate à porta, puxa nosso tapete e diz 'viu? Viu como mudou?'. Os aterros no Rio de Janeiro são uma prática antiga (hoje pouco empregada), muitos de nós nasceram depois do gigante aterro que atinge do Centro a Botafogo. No entanto, se considerarmos as pequenas e médias transformações... quantas delas não ocorreram sob nossos olhos? Quantas não estão ocorrendo neste exato instante? E para onde estamos olhando? Última atualização (Quarta, 10/Mar/2010 03:25)
Nova arte. Um grande dilema para os criadores contemporâneos. Como conseguir se comunicar com um público acostumado a ser bombardeado sensorialmente o tempo todo, a vida toda?
Para aqueles que vivem em centros urbanos, talvez o maior estímulo presente seja o sonoro. Do lado mais agressivo, não é incomum ser perturbado nas ruas por lojas que usam sistemas de som para atrair seus possíveis clientes ambiente adentro. Em casa ou fora dela, o trânsito também apresenta uma grande perturbação auditiva, seja pelos ruídos dos motores ou pela crença de que a buzina tem o poder de desmaterializar os carros a frente. Mas não é só as grandes perturbações que estamos acostumados a ignorar: a música que toca no elevador, o telefone tocando, os bips de todos os aparelhos; os exemplos são vários.
No entanto, não é só a overdose sonora que nos bloqueia a percepção. O estímulo visual também não é pequeno, ainda mais hoje, quando é baseado principalmente na alta velocidade da troca de imagens. Algo que a propaganda adora, abusando de todas as cores em todos os mínimos e máximos espaços. São imagens demais e tão rápidas que nós saturam o tempo todo. Essa velocidade visual se deixou perpassar para todo tipo de possibilidade: filmes de ação, por exemplo, têm cada vez mais cortes de cena, chegando a tomadas de menos de um segundo. Assim como fazemos com o som, não administramos todo o campo visual quando saímos à rua: a grande quantidade de lojas, letreiros, outdoors e outros objetos com meta visual nos faz estabelecer uma lista de prioridades no campo de visão, da qual costumamos ignorar os últimos itens.
Sendo esses dois - audição e visão - os sentidos humanos mais buscados por artistas, a pergunta que devemos fazer é: como tornar cada estímulo audiovisual perceptível e conceitualmente relevante para o público?
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